AS LUAS QUE ME HABITAM
Flavio di Fiorentina

Epígrafe:
“Cada lua tem um jeito de puxar o ser.”


Se a parede for o treino da raiva,
se a porta fechada à força for a resposta,
se você não se entende,
se você chora criando uma terra úmida no pano,
é porque dentro de você há muitas luas.
Luas de cores diferentes:
luas verdes,
luas vermelhas,
luas amarelas,
luas pretas.
Luas sem nome
e sem cor.
Uma paleta de cores
para pintar o eu
e os seus dias.
Tudo porque o eu de cada pessoa
é cercado de muitas luas,
cada uma puxando o ser
para um lado diferente.
Há luas que crescem,
luas que minguam,
luas que se escondem
por medo de aparecer.
E há a lua torta —
aquela que surge sem aviso
e vira tudo de lugar.
Mas vem o sol de fora,
que aquece o corpo,
que aquece as luas.
Se a temperatura for suficiente,
a lua desperta
para o bem,
a lua desperta
para o mal.
E a vida continua, companheiro.
Não importam as luas,
não importa o sol.
Diante das muitas luas,
o eu precisa entender
o comportamento das luas,
para não ser escravo
de um ditador que só ele sente e vê.
Brasília (DF), 27 de março de 2026.
Texto de Flavio di Fiorentina



