O silêncio da chave falsa

Naquele dia,
o silêncio chegou como uma pessoa sem voz

e contagiando todas as bocas:
o silêncio dos pássaros,
o silêncio dos animais,
o silêncio das pessoas,
e agora o silêncio do meu eu.

Ele não bateu na porta de casa.
Entrou com a cópia de chave
que conseguiu no chaveiro da vizinhança.

Um silêncio que chegou
com um cartaz que caiu de um caminhão
ao passar na rua.

No cartaz:
uma mão de uma pessoa,
com o silêncio na boca.

Por causa do silêncio do meu eu,
não consigo abrir a boca,
não consigo viver
com o silêncio.

Sem que eu pudesse responder, ouço gritos na rua.
Gritos de todas as vozes, de todas as pessoas.

Sons que bateram com força contra a porta de casa.
Bateram e foram embora,
sem que eu pudesse entender a estranheza.

Os sons foram embora e
eu comecei a falar.
Os pássaros começaram a cantar,

os animais começaram a miar, a latir.
Comecei a ouvir pessoas na rua,
e meu eu rompeu
o silêncio da chave falsa.

O silêncio foi embora,
sem me dizer um adeus.

Brasília (DF), 24 de maio de 2026.
Texto de Flavio di Fiorentina.

O Silêncio da Chave Falsa

Tempo de Leitura: 2 min de leitura.

Epígrafe:
O silêncio chega e às vezes surpreende.
– Flavio di Fiorentina

Quem é Flavio di Fiorentina

Flávio di Fiorentina é poeta e escritor baiano radicado em Brasília, autor do livro Amor nos tempos de lua minguante. Suas obras transitam pelas esquinas do eu, pela memória e pelo realismo fantástico.

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Tags: poesia contemporânea, silêncios, o silêncio da chave falsa, introspecção, cotidiano, metáfora literária, literatura brasileira, flavio di fiorentina.

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