Na Andropausa Que Não Vale Para O Homem

Em 'Na andropausa que não vale para o homem', Flavio di Fiorentina quebra o silêncio sobre a solidão, o envelhecimento masculino e a busca por conexão.

EXISTENCIAL

Flavio di Fiorentina

6/16/20263 min read

Poema

Na andropausa que não vale para o homem

Epígrafe:
"Na andropausa, mesmo ignorando, o homem tem acertos e desacertos."
— Flavio di Fiorentina

Tempo de Leitura: 3 min

🌟Há dores que o homem só admite quando ninguém está olhando. É a partir dessa fresta — íntima, silenciosa, quase clandestina — que Na andropausa que não vale para o homem se abre. O poema mergulha na solidão masculina que se instala devagar, sem anúncio, sem manual, sem acolhimento. Uma solidão que não nasce apenas da idade, mas da cultura que ensinou o homem a ser forte demais para pedir ajuda e orgulhoso demais para confessar que também sente medo.

O texto acompanha esse homem que envelhece por dentro antes de envelhecer por fora. O homem que chora no banho, que abre a geladeira à noite para ver luz, que percebe que as antigas companhias — futebol, cerveja, política — já não sustentam o peso do silêncio. A andropausa, aqui, não é um termo médico: é metáfora de um abandono emocional que a sociedade normalizou.

Ao longo dos versos, o poema constrói imagens de grande delicadeza: o rio sem água, o caminho cheio de placas, a semente que germina, o vagalume que ilumina o que o homem tenta esconder. São símbolos de um renascimento possível, mas que exige coragem para admitir vulnerabilidade — algo que muitos homens nunca aprenderam a fazer.

No final, o poema não oferece respostas prontas. Oferece algo mais raro: uma fresta de humanidade, um convite para que o homem perceba que ninguém atravessa a noite sozinho — nem ele, nem o vagalume, nem a estrela vazia. É um texto que fala de perda, mas também de luz; de silêncio, mas também de gesto; de abandono, mas também de possibilidade.

Esta é a Versão Comum do poema "Na andropausa que não vale para o homem". Através de versos confessionais e imagens cotidianas cortantes, a obra de Flavio di Fiorentina mergulha no isolamento silencioso do homem maduro frente ao abandono e às transformações do tempo, trazendo uma sensível reflexão sobre a necessidade humana de pedir ajuda e não atravessar a noite sozinho.

A seguir, o poema completo “Na andropausa que não vale para o homem.”

Poema sobre a andropausa e a velhice do homem

Na andropausa que não vale para o homem

Na andropausa

que não vale para o homem,

o homem que só chora no banho,

o homem que sempre vê

a estrela vazia.

Depois de tantas companhias —

para o futebol,

para a cerveja,

para a política —

o que sobra,

na base,

é o homem vazio,

o homem que só chora no banho,

porque a vida

é alegria,

tristeza,

e a história

de um rio sem água.

O homem que abre a geladeira à noite,

não por fome,

mas para ver

alguma luz acesa —

para iluminar a nova jornada,

como um caminho

cheio de placas.

Pois a andropausa

que não vale para o homem

também não vale

para as velhas companhias.

Entrou no caminho do silêncio

sem perceber —

um caminho

onde não se pede ajuda.

E a esposa diz:

“Vou sair mais uma vez

com as amigas hoje.

Pode continuar

com a sua televisão.”

Cada dia

é um pedacinho de ciclo,

a começar por uma semente

plantada no quintal.

É esperar

para germinar.

Por Flavio di Fiorentina | 16 de Junho de 2026

Pedir ajuda à esposa,

ao confidente,

até mesmo ao vagalume —

cuja luz

tem consistência,

tem volume.

Porque a andropausa

que não vale para o homem

é só mais um nome

para o abandono.

E o homem,

que nunca aprendeu a pedir,

finalmente entende:

ninguém atravessa a noite sozinho.

Nem ele.

Nem o vagalume.

Nem a estrela vazia.

Brasília (DF), 15 de junho de 2026.

Texto de Flavio di Fiorentina

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Quem é Flavio di Fiorentina

Flávio di Fiorentina é poeta e escritor baiano radicado em Brasília, autor do livro Amor nos tempos de lua minguante. Suas obras transitam pelas esquinas do eu, pela memória e pelo realismo fantástico.

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