O menino que mora no bolso da camisa

Em 'O menino-botão no bolso da minha camisa', Flavio di Fiorentina cria uma tocante fábula surrealista sobre autoconhecimento, amadurecimento e reconciliação com o próprio eu.

MEMÓRIAEXISTENCIAL

Flavio di Fiorentina

6/13/20262 min read

Poema

O menino que mora no bolso da camisa

Epígrafe:
"Com tempestades, bonança, ninguém está sozinho na caminhada."
- Flavio di Fiorentina

Tempo de Leitura: 2 min e meio

🔥Há encontros que não pedem licença: simplesmente acontecem, como um redemoinho que vira a vida de cabeça para baixo e deixa, no bolso da camisa, um companheiro inesperado. “O menino que mora no bolso da camisa” é um poema sobre esse tipo de presença — pequena no tamanho, imensa no significado.

Entre sustos, risos e confissões, o texto revela que ninguém caminha sozinho: há sempre um pedaço de nós que insiste em permanecer, observar, aconselhar e, às vezes, cutucar. Um poema sobre companhia, consciência e reconciliação com aquilo que nunca nos deixou.

Esta é a Versão Comum do poema "O menino que mora no bolso da camisa". Através de uma sensível atmosfera de realismo fantástico, a obra traz uma epígrafe do próprio autor para abrir uma narrativa poética onde um redemoinho deixa como rastro uma pequena e sábia companhia cravada no peito do eu lírico, convidando o leitor a uma reflexão sobre escolhas, erros e a beleza de caminhar em harmonia consigo mesmo.

A seguir, o poema completo “O menino que mora no bolso da camisa.”

Poema sobre lembranças da infância, eu interior e consciência

O menino que mora no bolso da camisa

No redemoinho

que surgiu em meu caminho,

eu me assustei,

eu corri,

eu me abriguei.

Mas um menino pequeno,

do tamanho de um botão,

tem vivido

no bolso da minha camisa.

E não importa a camisa,

a cor,

o tamanho.

Ele vive

na minha camisa.

Ele observa tudo,

comenta baixinho,

cutuca,

ri,

se assusta,

aconselha.

Ele vive no bolso —

às vezes sujo,

outras vezes limpo —

da minha camisa.

Mas o redemoinho foi embora.

Ele sentiu.

E tem sido assim

na bonança ou

no temporal.

E me puxou

com voz forte:

eu sei quem você é,

seus desejos,

suas escolhas,

suas quedas,

suas brincadeiras,

seus erros.

Por Flavio di Fiorentina | 13 de Junho de 2026

E não me importo

quem você seja.

O meu eu disse para ele:

psiu!!!

Numa reação inesperada,

ele disse:

Por que você disse “psiu”,

se eu sempre estive aqui

aturando você?

E eu, sem jeito,

pedi desculpas.

Ele sorriu,

ajeitou-se no bolso

e disse:

— Vamos juntos.

Ainda temos muito

a aprender um com o outro.

Brasília (DF), 13 de junho de 2026.

Texto de Flavio di Fiorentina

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Quem é Flavio di Fiorentina

Flávio di Fiorentina é poeta e escritor baiano radicado em Brasília, autor do livro Amor nos tempos de lua minguante. Suas obras transitam pelas esquinas do eu, pela memória e pelo realismo fantástico.

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