Os chiados no ouvido são conhecimento

Em 'Os chiados no ouvido são conhecimento', Flavio di Fiorentina transforma a sinfonia solitária dos zumbidos em sabedoria existencial através da poesia

MEMÓRIASILÊNCIOS

Flavio di Fiorentina

6/11/20263 min read

Poema

Os chiados no ouvido são para conhecimento

Em casa,

na cama,

nos sonhos,

na rua,

no trabalho,

na escola,

em qualquer lugar,

o mesmo som:

uma afinadíssima orquestra

de panelas,

de apitos,

de asas,

de besouros,

de grilos —

para um só ouvinte.

Sob muitos chiados

no ouvido,

eu agonizava,

eu sofria;

nas longas horas

do dia,

eu sofria

com zumbidos

que só eu ouvia.

Até reencontrar,

na frequência do rádio,

a alegria,

pois eu olhava para cima,

porém, muito mais

para baixo.

Eu olhava muito

para cima,

eu olhava bem menos

para baixo,

até ver um beija-flor

que, ao sobrevoar

a planta do jardim,

soltou uma pétala de aroma,

uma fragrância

de cheiro suave,

que atingiu o meu eu,

atingiu também a mim.

Atingiu de uma forma

tão especial

que meu eu saiu

da melancolia

para a alegria

Epígrafe:
"Os chiados e zumbidos trazem agonia e também aprendizagem."
- Flavio di Fiorentina

Tempo de Leitura: 2 min e meio

Esta é a Versão Comum do poema "Os chiados no ouvido são conhecimento".

Em uma abordagem densa e profundamente existencial, o texto explora a jornada do eu lírico que transforma a agonia solitária dos ruídos internos em um estado de sabedoria, despertado pelas cores do jardim e pelo afeto da memória.

A seguir, o poema completo “Os chiados no ouvido são para conhecimento.”

Nota do autor:

Este poema nasceu de um som que não se cala. Os chiados no ouvido, que antes eram apenas incômodo, começaram a revelar outra coisa: uma presença constante que me obrigou a olhar para dentro. Entre o barulho e o silêncio, descobri que a vida também é feita de frequências — algumas dolorosas, outras luminosas.

Poema sobre tinnitus, chiados, zumbidos no ouvido e superação emocional

Os chiados no ouvido são conhecimento

ao ver que os chiados

são conhecimentos

que geram sabedoria

para quem a vida

é olhar para cima

e não só para baixo.


Mas a beija-flor desapareceu

como uma luz de meteoro
entre as plantas
do jardim.

O cheiro da pétala ficou ali,

impregnando

no meu eu,

me fazendo passar

de melancolia

para sanguínea.

Bem que minha mãe dizia:

"esse menino precisa

encontrar seu cheiro."

E quem também precisa

encontrar

é o meu eu,

que prefere ficar,

às vezes,

em outro jardim.

Brasília (DF), 11 de junho de 2026.

Texto de Flavio di Fiorentina"


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Quem é Flavio di Fiorentina

Flávio di Fiorentina é poeta e escritor baiano radicado em Brasília, autor do livro Amor nos tempos de lua minguante. Suas obras transitam pelas esquinas do eu, pela memória e pelo realismo fantástico.

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